Maria Gadú
Composição : Luis Kiari e Caio SohQuando já não tinha espaço, pequena fui
Onde a vida me cabia apertada
Em um canto qualquer,
Acomodei minha dança, os meu traços de chuva
E o que é estar em paz
Pra ser minha e assim ser tua
Quando já não procurava mais
Pude enfim nos olhos teus, vestidos d’água,
Me atirar tranquila daqui
Lavar os degraus, os sonhos, as calçadas
E, assim, no teu corpo eu fui chuva
… jeito bom de se encontrar!
E, assim, no teu gosto eu fui chuva
… jeito bom de se deixar viver!
Nada do que fui me veste agora
Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto
E só sossega quando encontra tua boca
E, mesmo que eu te me perca,
Nunca mais serei aquela que se fez seca
Vendo a vida passar pela janela

“Dessa vez não vou evitar dizer o que está na minha cabeça só porque eu sei que minha mente geminiana vai negar no dia seguinte, não fugirei de palavras bonitas porque quem diz não é uma pessoa perfeita, não arrumarei mil defeitos pra brigar contra as novecentas e noventa e nove qualidades, não desviarei meus olhos por medo de ter minha mente lida, não sumirei por medo de desaparecer, não vou ferir por medo de machucar, não serei chata por medo de você me achar legal, não vou desistir antes de começar, não vou evitar minha excentricidade, não vou me anular por sentir demais e logo depois não sentir nada, não vou me esconder em personagens, não vou contar minha vida inteira em busca de ter realmente uma vida.
Dessa vez não vou querer tudo de uma vez, porque sempre acabo ficando sem nada no final.
Estou apostando minhas fichas em você e saiba que eu não sou de fazer isso. Mas estou neste momento frágil que não quer acabar. Fiquei menos cafajeste, menos racional, menos eu. E estou aproveitando pra tentar levar algo adiante. Relacionamentos que não saem da primeira página já me esgotaram, decorei o prólogo e estou pronta pro primeiro capítulo.”
Caio F. Abreu

“-Meu Deus, meu Deus, como está tudo esquisito hoje! E ainda ontem as coisas estavam tão normais… Será que eu mudei durante a noite? Deixe-me ver: será que eu era a mesma quando acordei hoje de manhã? Quase consigo me lembrar de ter me sentido um pouco diferente… Mas se não sou a mesma, a questão seguinte é: Quem eu sou neste mundo? Ahá! Eis um grande mistério!… E começou a pensar em todas as meninas da sua idade que ela conhecia, pra ver se tinha se transformado em alguma delas.”
Alice no País das Maravilhas
Friday Apr 4 @ 11:55amNa vida, fazemos escolhas e elas nos trazem consequências.. muitas vezes positivas.. álias, sempre positivas! Prefiro acreditar que independente do sentimento, frente à essas escolhas, elas são positivas SIM…
Escolho assumir de peito aberto e enfrentar todas essas consequências.. Quero viver, sentir, chorar, rir, me encolher… Mas quero acima de tudo me orgulhar de mim mesma todos os dias. Quero viver de VERDADE…
Cada dia venho gostando mais de Caio F. Abreu, todos os textos e trechos que eu leio dele me indentifico. Eles cabem muito bem no que eu tenho passado nos últimos dois anos… Em meio a tantos conflitos e um vazio tão grande, encontro respostas e me encontro também, cada dia tenho a certeza que TUDO vai acabar ou começar BEM… E que todas as pausas da nossa vida são necessárias, válidas… “Vai passar!”
Por isso… Aí vai o trecho:
“Porque, pra viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, dói demais. Mas passa. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.”
Friday Feb 2 @ 03:25pm![]()
Soneto da separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Moraes
Tuesday Jan 1 @ 06:58pm
